03.08.2011

FUTURO ESTÁ NAS REDES SOCIAIS

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Desafio de empresas para manter usuários é saber administrar ferramentas que surgem a todo instante

Por , da LabPop Content

As redes sociais são a nova internet? São. Assim mesmo, direto, sem dúvida. Enquanto digito essas, há milhares de moleques alucinados no Vale do Silício criando uma nova teia de comunicação para agarrar pessoas e mantê-las em seus domínios o máximo de tempo possível. Mark Zuckerberg é mais fominha. Depois de virar o sujeito a se copiar no olimpo da tecnologia, levantou a lupa e gasta madrugadas analisando as redes sociais nascidas à sua volta. Não dá trégua até destruir sutilmente todas, trazendo, a cada dia mais, funções segmentadas antes inexploradas no Facebook para dentro de casa. Mira-se obsessivamente num exemplo histórico recente – quando, na década de 90, Bill Gates soltou seus ferozes cães geeks para exterminar o Netscape. 

 

O internauta, ao ligar o computador, diferentemente da década passada, acessa obrigatoriamente alguma rede social para ver o que há no entorno: como está o trânsito, para onde vão as pessoas, as notícias do dia e o que está pensando a ex-namorada que o largou por um surfista.

 

Ao ponto: os portais de notícias precisam se reinventar. Do jeito que estão morrerão mais cedo do que imaginam.

 

Recentes dados da Comscore, empresa líder mundial de mensuração da internet, apavoram as empresas de comunicação. Cerca de 99% dos internautas brasileiros acessam ou já acessaram alguma rede social. Projetos públicos de inclusão digital asseguram um Brasil 100% conectado em no máximo uma década. Nos Estados Unidos essa conexão já vem acompanhada de um cardápio de redes e protótipos. No colégio, os anseios de estudantes residem efetivamente em estar numa rede social. O movimento agressivo do mobile faz com que as pessoas continuem conectadas após o trabalho – no Twitter , no Facebook ou em qualquer outra rede.

 

Se o êxito do Facebook atingiu duramente o Google, obrigando Larry Page, CEO da companhia, a desencavar o Google +, o que não estará fazendo com as empresas de comunicação? Um passo inevitável de Zuckerberg será o de criar uma área de conteúdo de notícias universal, esvaziando cada vez mais a função do Google como motor de busca. Se isso acontecer, queridos jornalistas, pulem de suas cadeiras.

 

O “New York Times” acusou o golpe e quer pegar o rabo do futuro. Mandou toda sua inteligentzia pensar lá na frente. Tacou seu conteúdo nos tablets e, tijolo a tijolo, vai aumentando sua base de assinantes. Mesmo patinando numa crise sem precedentes, tenta, meteoricamente, descontruir suas convicções de décadas recentes.

 

Estudo recente da empresa de consultoria e-bit põe fervura na panela. A inclusão digital globaliza-se de tal forma que os números apresentados na semana passada pela companhia assustam os mais céticos. Sessenta e um por cento dos novos consumidores on-line vêm de famílias com renda mensal de até R$ 3 mil, sendo a maioria (55%) mulheres. Agências de publicidade brilharam os olhos. Os jornais deveriam fazer o mesmo. Isso quer dizer que mais gente pensa na internet como forma de comprar. Antes uma exclusividade da classe A/B.

 

O conteúdo digital da imprensa também não ajuda. Grandes conglomerados de comunicação perderam o rigor técnico. Com a emergência sistemática em ocupar postos de versões de veículos na internet, a renovação de profissionais está sendo feita de forma destrambelhada nos últimos 10 anos. Todo dia um estagiário ou um professional recém-formado adentra uma redação às pressas, sem treinamento, sem tutorial, sem padrão, sem a minima noção de apuração. Os resultados são desastrosos. É a Geração Google.

 

Em vez disso, de se preocupar com o básico, as empresas de comunicação preferem ficar igual a cachorro louco correndo atrás de novas tecnologias, uma emergência quase caricatural. Que acabam a serviço de um conteúdo mediocre. Achar esse equilíbrio é o principal desafio.

 

Há pelo menos a convicção do abismo. Nos últimos três anos, formulações para tudo são lançadas em reuniões executivas sem metas claras. As redes sociais são quase uma salvação. Mas como apostar tanto no Twitter e no Facebook sem ter 100% de certeza de seu futuro?  A forma de usá-las rotineiramente hoje é tão primária que fica evidente a total falta de intimidade com essa indiscutível forma de disseminação de informação.

 

A saída?

 

Está na cara: criar sua própria rede social – de notícias e entretenimento. Isso também é direto, sem dúvida. Manter o internauta no ambiente da notícia, dar-lhe todo tipo de interação, entretenimento e mobilização comunitária. Agregar formatos bem-sucedidos em redes como o próprio Facebook. E inovar, em design, navegabilidade, sem clonar o que já existe. Se essa é a atual janela da internet, é fundamental abri-la já.

 

Não vai ser fácil. Não se acha um Mark Zuckerberg ou um Jack Dorsey em cada esquina. (Mario Marques)